Fla-Flu
Nascido de uma cisão dentro do próprio futebol carioca, virou crônica literária assinada por Nelson Rodrigues — é o clássico com maior vocação de espetáculo.
Um almanaque de memória sobre o futebol brasileiro: os clássicos que dividem cidades, as doze camisas da tradição, os estádios que guardam a história, a conquista da América e as cinco estrelas da seleção. Texto permanente, escrito para durar.

Nascido de uma cisão dentro do próprio futebol carioca, virou crônica literária assinada por Nelson Rodrigues — é o clássico com maior vocação de espetáculo.
Palmeiras e Corinthians dividem o mesmo bairro e origens operárias e italianas: a rivalidade paulistana mais antiga e mais repetida.
Grêmio e Internacional levam para o campo a divisão social de Porto Alegre, entre a colônia alemã e o clube dos bairros populares.
Flamengo e Vasco reúnem as duas maiores torcidas do Rio e uma das mais numerosas do país; o nome mede a bilheteria, não o placar.
Santos e São Paulo opõem o porto à capital e duas tradições de futebol técnico, com raízes na mesma orla paulista.
Cruzeiro e Atlético construíram em Belo Horizonte uma rivalidade de bairro que atravessou a fundação das duas colônias italianas.
Athletico e Coritiba formam o dérbi paranaense, uma disputa de bairro que decidiu o futebol de Curitiba por mais de um século.
Bahia e Vitória transformaram Salvador em palco de um clássico de três cores e de longa disputa pela hegemonia baiana.
Ceará e Fortaleza são os dois clubes mais antigos do Ceará e disputam a coroa do futebol cearense desde 1913.
Botafogo e Flamengo opõem o bairro ao bairro no Rio de Janeiro e carregam uma rivalidade de vizinhança que virou memória nacional.
O palco do Maracanazo e das maiores decisões do futebol brasileiro, construído para a Copa de 1950 e reconstruído para a Copa de 2014.
A casa do futebol mineiro, apelidada de Gigante da Pampulha e reformada para a Copa de 2014.
Inaugurado em 1927 e erguido com dinheiro da torcida vascaína, foi por décadas o maior estádio do país e símbolo de uma abertura histórica.
A casa do Santos tem arquibancadas coladas ao gramado e guarda a memória dos anos dourados de Pelé.
Erguido à beira do Guaíba, o estádio colorado é um marco de concreto e arquibancada gaúcha, remodelado para a Copa de 2014.
A Taça Libertadores da América nasceu no início dos anos 1960 e se tornou o teste definitivo do futebol sul-americano. Para os clubes brasileiros, ela mede outra coisa que o campeonato nacional não mede: a capacidade de atravessar o continente, jogar em alturas, climas e arquibancadas adversas e ainda voltar com a taça na mão.
Foi o Santos de Pelé que abriu o caminho, com os títulos de 1962 e 1963, coroados pelo torneio intercontinental. Depois vieram o Flamengo de 1981, o Grêmio de 1983, o São Paulo tricampeão entre 1992 e 2005 e o Palmeiras, dono de três conquistas continentais em eras diferentes do clube.
A competição também revelou ao torcedor brasileiro a geografia do continente. Cada final acrescentou um cenário novo ao almanaque, e a lista de campeões brasileiros virou, com o tempo, um retrato do que é ser grande no futebol do país.
| Clube | Títulos | Anos |
|---|---|---|
| Santos | 3 | 1962, 1963, 2011 |
| São Paulo | 3 | 1992, 1993, 2005 |
| Flamengo | 3 | 1981, 2019, 2022 |
| Palmeiras | 3 | 1999, 2020, 2021 |
| Grêmio | 3 | 1983, 1995, 2017 |
| Cruzeiro | 2 | 1976, 1997 |
| Internacional | 2 | 2006, 2010 |
Completam a relação de campeões brasileiros da competição Vasco da Gama (1998), Corinthians (2012), Atlético Mineiro (2013), Fluminense (2023) e Botafogo (2024). A conta, como toda conta de torcedor, sempre rende discussão: o que se mede aqui é a conquista continental, clube por clube, sem qualquer hierarquia definitiva.